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| Jornal Alto Madeira, Porto Velho 26 e 27 de abril de 1981, p.3. |
O objetivo do blog é reunir material acerca do teatro praticado na cidade de Porto Velho, em Rondônia e na região Norte. O blog está ligado à linha de pesquisa "Memórias da Cena Amazônica" do Grupo de Pesquisa PAKY`OP - Laboratório de Pesquisa em Teatro e Transculturalidade: praxis, reflexões e poéticas pedagógicas, da Universidade Federal de Rondônia e está registrado no CNPq. Artigos e matérias assinadas não representam a opinião do coordenador do blog. Outras redes: https://linktr.ee/adailtom
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segunda-feira, 13 de fevereiro de 2023
Porto Velho: A Igreja católica e o teatro
quinta-feira, 2 de fevereiro de 2023
O MOBRAL E O TEATRO
Adailtom
Alves Teixeira
O Movimento Brasileiro de
Alfabetização (Mobral), criado durante a ditadura empresarial-militar (1964-1985), foi
um processo de educação de jovens e adultos em um Brasil de muitos analfabetos,
entretanto foi extremamente contraditório, posto ter sido criado em oposição à
uma educação popular, que tinha como modelo o método Paulo Freire – que acompanhava
as mudanças do país nos anos 1950 e 1960 (para
saber mais, aqui). Não obstante, o Mobral tinha também um braço cultural e
foi, ao que tudo indica, bastante ativo em Rondônia, realizando festivais,
cursos de teatro, entre outras atividades culturais. Os documentos aqui
apresentados, dão uma pequena mostra de tais processos.
Cláudio Vrena, criador do
grupo Cuniã, que começou sua carreira artística em Cacoal, afirma em entrevista
à Maria Luzia Ferreira Santos (2021), que ao saber que haveria um curso de
teatro de bonecos realizado pelo Mobral na capital, se deslocou até Porto Velho para conhecer de
perto essa experiência e nunca mais parou com o teatro de animação. Além da formação por meio de cursos,
é possível verificar que grupos teatrais eram convidados, como o Apocalipse,
que apresentou em 1981 na cidade de Ariquemes.
As ações do Mobral e quanto estas influenciaram ou não a cena artística local é mais um dos pontos ainda pouco conhecido e que merece ser melhor estudado. Cabe ressaltar que, apesar de sediado em Porto Velho, além do processo educativo, o Mobral realizava ações culturais em outras cidades. Abaixo apresentamos quatro documentos/matérias do jornal Alto Madeira acerca de ações da instituição em 1981.
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| Jornal Alto Madeira, 13 de março de 1981, p. 3. |
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| Jornal Alto Madeira, 20 de fevereiro de 1981, p. 3. |
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| Jornal Alto Madeira, 18 de junho de 1981, p. 3. |
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| Jornal Alto Madeira, 22 de julho de 1981, p. 1. |
Referências
SANTOS, Maria Luzia Ferreira. A arte de produzir bonecos e sua
manipulação: a estética e a plástica dos bonequeiros de Porto Velho-RO.
Porto Velho: Temática, 2021.
quarta-feira, 25 de janeiro de 2023
Do Silêncio ao Quebracabeça
Adailtom
Alves Teixeira
A fluminense Ângela Cavalcante
e o argentino Alejandro Bedotti chegaram em Rondônia em 1979, passando antes em
Rio Branco/AC para ministrarem oficinas de teatro. A dupla aportam com o Grupo
del Silencio. Bedotti veio para trabalhar no Sesc, entretanto rompe rapidamente
com a instituição e saem novamente em viagem. Criam o Grupo Cipó, conforme me
relatou Ângela, já não eram apenas os dois, havia atores locais, então melhor
seria um outro nome.
A vivência Amazônia toco-os
profundamente, realizaram laboratório “do outro lado do rio”, como afirmou
Cavalcante em entrevista. O objetivo era levar à cena os sons e aquela sensação
para o espetáculo Rio eu rio é... gente!, que teve estreia no auditório da Escola Estadual
Camela Dutra – a época era um único espaço com algo que se aproximava a uma
casa de espetáculo – em 1981.
Logo após a estreia, o grupo
teve oportunidade de se apresentar em outros estados, pois participou do projeto
nacional, o Mambembão, realizado pelo Serviço Nacional de Teatro, vinculado ao Ministério
da Educação e Cultura (MEC). Na matéria do jornal Alto Madeira (Cf. imagem), somos informados que o grupo estava em
São Paulo, no teatro Maria Della Costa.
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| Jornal Alto Madeira, 21 de janeiro de 1981, p. 3 |
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| continuidade da matéria Jornal Alto Madeira, 21 de janeiro de 1981, p. 3 |
quarta-feira, 18 de janeiro de 2023
O teatro da década de 1980 em Porto Velho: contexto
Adailtom
Alves Teixeira[1]
A criação deste
blog se insere em um processo de pesquisa iniciado em 2017, quando desenvolvi
um projeto de extensão pelo Departamento de Artes da Universidade Federal de
Rondônia (Unir), junto ao Curso de Licenciatura em Teatro, chamado de Conversa de Quinta: arte e cultura em debate.
Naquele momento foram realizados alguns encontros com diversos fazedores e
registrados em vídeo, disponibilizados em meu canal no YouTube. O objetivo era
conhecer um pouco mais da história do teatro local, já que eu havia aportado na
cidade em 2014. Tal projeto desembocou em um projeto de pesquisa maior, um doutoramento,
ainda em curso, no qual eu pesquiso quatro décadas da prática dessa linguagem
na capital rondoniense (1978-2018). Por estar no último ano do doutoramento e posto
que a década de 1980 está um pouco mais distanciada, vou registrar e divulgar
por aqui alguns documentos encontrados ou disponibilizados pelos fazedores daquele
período, de forma que outros/as pesquisadores/as e interessados/as em geral
possam acessá-los.
A década em tela é significativa por diversos motivos,
afinal foi em dezembro de 1981 que Rondônia deixou de ser Território e passou a
ser Unidade Federativa, fazendo com que a bandeira brasileira ganhasse mais uma
estrela. Além disso, foi uma década de muitas mudanças e esperanças, viveu-se o
fim de uma ditadura que durou vinte e um anos; houve todo um movimento político
forte e a criação de um pacto nacional, elegendo deputados/as constituintes e
daí nascendo uma nova Constituição (1988), vigente até hoje; em Rondônia houve
esperança de uma nova vida para muitas pessoas, pois naquele momento teve um
intenso crescimento populacional, devido as grandes levas de migrantes que o
estado recebeu, processo que impactou também a linguagem teatral, sendo que,
até hoje, muitos dos fazedores mais experientes e ainda atuantes são pessoas vindas
de outros lugares do Brasil e aqui auxiliaram na diversidade cultural da cidade
de Porto Velho por meio do teatro.
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| Matéria do jornal Alto Madeira, publicado em 22 e 23 de fevereiro de 1981 à página 3. |
O primeiro documento que ora apresento, ainda não é sobre teatro, mas justamente uma matéria do jornal Alto Madeira que aborda essas grandes mudanças que ocorria em Rondônia: a mudança de Território para estado; o crescimento populacional devido à migração, posto que o censo revelou uma verdadeira “explosão” em uma década, já que em 1970 eram pouco mais de 150 mil habitantes que ocupavam sobretudo Porto Velho e Guajará-Mirim e em 1980, devido aos mais de 500 mil migrantes – que continuariam a chegar por toda década, chegou próximo de um milhão de habitantes; a matéria apresenta Rondônia como um estado agrícola, em certa medida graças aos projetos de colonização que havia na época, tanto que foram assentadas 12 mil famílias no ano anterior (1980) e se previa o assentamento de mais 15 mil em 1981. Evidente que todos esses processos são contraditórios e merecem serem conhecidos e esmiuçados, não é meu intuito aprofundar aqui, mas fica o alerta cabendo apenas informar que há pesquisas sobre tais temas.
[1]
Doutorando em Artes pelo Instituto de Artes da Universidade Estadual Paulista
(Unesp); mestre em Artes pela mesma instituição; graduado em História pela
Universidade Cruzeiro do Sul; professor adjunto do Departamento de Artes da
Unir; autor do livro Teatro de Rua –
identidade, território pela Giostri (2020) e coorganizador do livro Paky'op:
experiências, travessias, práxis cênica e docência em Teatro pela Edufro (2022); articulador da Rede
Brasileira de Teatro de Rua (RBTR); ator e diretor teatral; integrante do
Teatro Ruante.
terça-feira, 3 de janeiro de 2023
A cultura rondoniense merece uma secretaria
Adailtom Alves Teixeira[1]
Perdida em uma pasta sem status de secretaria e somada a diversas outras áreas, a cultura em Rondônia vem
sofrendo seus percalços, pois as pessoas alocadas nas últimas gestões para
gerirem a Sejucel vem de áreas poucas afeitas à cultura. A gestão dos recursos
advindas da Lei Aldir Blanc – em Rondônia foram mais de 18 milhões de reais –,
revelou a imensa potência criativa e artística no estado e a evidente
necessidade de uma pasta própria, com pessoas que entendam dos fundamentos da
cultura, de suas políticas e gestão. E desde já, cabe ressaltar que o poder
público não tem que fazer cultura, mas criar as condições para quem de fato
faz, seu papel é criar, em diálogo com o movimento cultural, políticas públicas
adequadas, de forma a permitir a expressão artística em sua potência,
garantindo o acesso das artes às/aos cidadãs/ãos em geral.
A Rede ProCultura, movimento
articulado em todo o estado, vem discutindo e pleiteando que a cultura seja
desmembrada da Sejucel e que seja criada uma secretaria específica. Na última
eleição esta foi uma de suas reivindicações, por meio de documento (aqui) entregue
para alguns candidatos. No entanto, durante a campanha o movimento não foi
recebido pelo governador Marcos Rocha, mas cabe informar que este, em
entrevista no programa Conexão do Rondônia ao Vivo (aqui), manifestou seu
desejo de desmembrar a Superintendência, mas tratando apenas do esporte, isto
é, prometeu separar o esporte das demais áreas.
Faz-se necessário uma secretaria
específica de cultura, posto haver inclusive uma política pública no estado, o
Fundo de Desenvolvimento Cultural, ainda que venha funcionando de forma
intermitente, mas mais que isso, devido aos rumos nacionais que se apresentam
para a cultura brasileira, como a volta do Ministério da Cultura e leis e
recursos já assegurados para a área pelos próximos anos, via Lei Paulo Gustavo
e Lei Aldir Blanc 2. Rondônia é um polo produtor de cultura importantíssimo,
com festivais de teatro e grupos reconhecidos nacionalmente, uma música
potente, um audiovisual que vem se destacando ao ganhar prêmios Brasil a fora e
uma cultura popular vastíssima, além de uma cultura indígena, quilombola e
ribeirinha que merece aparecer para todo o país. É certo que toda essa potência
gerará muitos empregos e divisas em todo estado, além de fortalecer a
identidade e outros aspectos simbólicos de Rondônia. É certo também que o
movimento cultural rondoniense deseja ver cumprida a promessa do governador
Marcos Rocha, o desmembramento da Sejucel e a criação de uma secretaria de
cultura, para que os artistas dos diversos segmentos, bem como os gestores de
cultura dos municípios possam ter um diálogo mais aprofundado sobre a área
cultural.
[1] Doutorando em Artes pelo Instituto de
Artes da Universidade Estadual Paulista (Unesp); mestre em Artes pela mesma
instituição; graduado em História; professor adjunto do Departamento de Artes
da Universidade Federal de Rondônia (Unir); articulador da Rede Brasileira de
Teatro de Rua (RBTR); ator e diretor integrante do Teatro Ruante.
quinta-feira, 12 de maio de 2022
Mário Zumba - primeiro dramaturgo de Rondônia a ganhar um prêmio nacional no estado
Apresentação/Explicação
O objetivo é, aos poucos, disponibilizar alguns documentos utilizados em minha pesquisa de doutoramento que está em andamento no Instituto de Artes da Universidade Estadual Paulista "Júlio de Mesquita Filho" (Unesp), acerca do teatro praticado na cidade de Porto Velho entre 1978 a 2018.
A conversa a seguir foi realizada por mim, Adailtom Alves Teixeira, no dia 30 de abril de 2022 no espaço Tapiri, após a apresentação do espetáculo Meu amigo inglês, de autoria e direção de Mário Zumba. A entrevista, a transcrição e a transcriação (texto aqui publicado)¹ foram realizadas também por mim. O diálogo ocorreu em torno de um prêmio de dramaturgia ganho por Zumba em 1987, o primeiro prêmio dessa modalidade no estado de Rondônia.
Entrevista Mário Zumba
O prêmio
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| Mário Zumba em cena de Meu amigo inglês Foto Eliane Viana |
Era o 15º Concurso
Nacional de Dramaturgia, promovido pelo Ministério da Cultura. Era o Prêmio
Pedro Veiga. Fui o primeiro dramaturgo a ganhar esse prêmio por Rondônia. O
texto era um infantil, Cuidado com o
tamanduá bandeira. E esse mesmo texto foi premiado depois no concurso Casa
de las Americas, de Cuba. Lembra daquele acidente que houve em Goiânia, com o
césio-137? O tema da peça era justamente o tamanduá bandeira construindo uma
usina atômica sobre um formigueiro. Então casou tudo, entendeu?
Eu era militar, da
Aeronáutica. Quando eu ganhei o prêmio em Cuba fiquei temeroso, sem saber o que
fazer. Mas as Forças Armadas receberam isso com muito orgulho. Então foi legal!
Eles não perceberam que o texto era altamente subversivo pra época. Hoje eu sou
da reserva, mas sempre levei a vida militar e o teatro junto. E continuo
escrevendo.
A
vinda pra Rondônia
Eu vim pra Rondônia
porque era militar. Aí cheguei aqui, conversando com um amigo, ele me levou pro
Sesc e eu entrei no grupo de teatro de lá e fiquei. O teatro chama a gente.
Aonde você estiver, ele te chama!
Eu já fazia teatro. Eu
tinha começado, fazia teatro amador, muito novinho... aí depois que eu recebi o
prêmio, eu disse: “não, agora eu tenho que ir pro Rio de Janeiro”. Aí fui pro
Rio pra me profissionalizar.
Eu cheguei aqui em
Rondônia em 1985 e fiquei até 1992. E segui a carreira até hoje. Aí ganhei
outros prêmios. Um prêmio da prefeitura do Rio, quando eu estava lá, com outro
texto. E assim fui... continuei atuando, escrevendo e dirigindo. Eu faço tudo.
No Meu amigo inglês eu faço as três
coisas, escrevi, dirigi e atuei. Mas essa peça está em cartaz em Belém desde
2017. Lá em Belém eu não dirijo, quem faz a direção é o Marton Maués, o diretor
dos Palhaços Trovadores e eu faço com a Romana Melo. Ela é da Rede de Palhaças
do Norte, é uma ativista da palhaçaria feminina na Amazônia e ela está fazendo
doutorado na Bahia, na UFBA [Universidade Federal da Bahia].
O
encontro com os artistas/amigos de Porto Velho
Muito legal, juntar todo
mundo de novo. A Ângela Cavalcante, o Bado... o Binho já veio aqui mais cedo,
Júlio Yriarte, Eri Oliveira, Suely... todo mundo aí. Foi um encontro de peso.
Muito bom! Eu adorei isso!
Teatro e Forças Armadas
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| Mário Zumba - imagem retirada de sua rede social Facebook Foto de Sandro Barbosa |
Eu nunca tive problemas,
cara, nunca tive problemas. As coisas foram fáceis pra mim. Quando eu estava
fazendo teatro no Rio, em um curso, na Casa de Artes de Jacarepaguá, nós
montamos um espetáculo que era O mendigo
ou o cachorro morto de Bertolt Brecht. Dentro da Universidade da Força
Aérea, onde eu trabalhava, tinha um projeto chamado “Quarta Cultural” e a gente
apresentava qualquer coisa nas quartas depois do almoço. Sempre tinha uma
apresentação, convidados... E um coronel falou: “Você não tem nada?” Eu disse:
“eu tenho uma peça do Bertolt Brecht.” “Pois então traga”, ele falou. “Trago?”
“Traga. É muita gente?” “Não. É só eu e um outro ator”. Eu fazia o rei. Nós
levamos pra dentro do quartel O mendigo
ou o cachorro morto e as pessoas aplaudiram de pé. Foi espetacular!
Quebramos várias
barreiras. As pessoas estavam sedentas disso. Havia também uma vontade de
desmistificar aquilo que se pensava. Porque já era abertura... já estava no
processo de abertura. Então havia essa boa vontade, entendeu? Eu nunca tive
problemas, graças a Deus!
A
história local
Eu estava falando com o
Júlio Yriarte, a gente fazia e a gente não sabia a importância do que estávamos
fazendo. Então, a gente não documentava nada, ia só fazendo, fazendo... mas nos
anos 1980 foi uma efervescência. Eu cheguei em 1985.
Era uma força, porque a
gente vinha de uma repressão muito forte, quando chegou ali no início dos anos
1980 abriu, a gente “eu tô livre! Eu quero é fazer!” Queria falar pro mundo...
Foi uma época boa! Muita produção. Bem legal!
O público também estava ávido
disso, entendeu? O público também pensava como a gente, mas o que ele via antes
não satisfazia, não ia ao encontro. Então a gente foi ao encontro dessa
ansiedade, entendeu? Botar um militante político de esquerda no palco... A
gente fazia isso. Tinha uma personagem que era um militante de esquerda, ele
querendo conscientizar a favela... então a história era mais ou menos por aí,
ia ao encontro do que as pessoas estavam querendo. Havia uma ânsia por mudança.
______________________________
Notas
1. Essa distinção, sobretudo entre trascrição e transcriação, faz parte da metodologia da história oral utilizada pelo pesquisador, que se vale de um conjunto de procedimentos, que se inicia na própria elaboração do projeto de pesquisa. De forma simples, podemos definir transcriação como a passagem do oral para o escrito, isto é, transcrever tudo que foi falado, tanto do entrevistador como do entrevistado; já transcriar é aproximar-se do literário, posto ser uma prática utilizada primeiro na tradução de poemas, em especial por Haroldo de Campos, assim, transcriar é deixar o texto corrido, como um texto literário, é um outro texto, sem deixar de ser o mesmo, por isso desaparecem as perguntas, ficando apenas os tópicos da conversa, bem como as repetições tão característico da oralidade, assim, a palavra fica integralmente com o entrevistado.
terça-feira, 3 de maio de 2022
Mostra A Cena Negra Amazônica (2ª edição) - PROGRAMAÇÃO COMPLETA
PROGRAMAÇÃO
Dia 05/05: Curta-metragem Escreviventes – Coletivo Negro Universitário UFMT/MT
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| Escreviventes - foto Pedro Soares |
Escreviventes é composto por performances poéticas de corporeidades pretas que revelam aspectos e sentidos de pessoas afrodiaspóricas com individualidades singulares, apresentando diversidades de escrevivências em que elas são o centro de um universo imenso de histórias pretas, materialidades e subjetividades presentes no cotidiano acadêmico. As performances revelam a pluriversalidade africana, brasileira e quilombola, nas expressões artísticas, lugar de pensamento e outras inscrições.
Ficha Técnica
Título: Escreviventes
Ano de produção: 2021
País: Brasil
Duração: 10 minutos
Classificação: 10 anos
Gênero: Biografias
Direção: Zizele Ferreira e Vinicius Brasilino
Roteiro: Zizele Ferreira
Gravação e fotografias: Luana Sampaio
Edição: Silvano Junior
Poetas: Lupita Amorim, Pedro Soares e Vinicius Brasilino
Fotos: Luana Sampaio, Luzo Reis e Júlia Tinan
Realização: Núcleo de Estudos e Pesquisas Sobre Relações Raciais e Educação - NEPRE
Produção executiva: Candida Soares da Costa, Filipe Silva e Zizele Ferreira
Sobre o coletivo
Espetáculo: Divinas Cabeças - Coletivas Xoxós/PA
| Divinas Cabeças - foto Danielle Cascaes |
Divinas Cabeças revela o protagonismo da mulher negra, em uma metrópole da Amazônia urbana, contemporânea e neocolonizada. No centro do processo de criação, uma questão-desejo de infância: “eu quero uma boneca que se pareça comigo! Que se pareça comigo...”. O espetáculo é fala cênica em resposta poética à pergunta-desejo da criança, mas também ao mundo em travessias pandêmicas, por entre ancestralidades, negritude, espiritualidade, diferença, cura. Enquanto Teatro Dadivoso e seguindo os princípios da bioescritura, do teatro ao alcance do tato e do protagonismo de mulheres em cena, as experiências de vida da performer se entremeiam a uma pergunta subliminar devolvida ao espectador: quantas cabeças pensam o nosso viver? Quem nos pensa?
Ficha técnica
Performance e Dramaturgia: Andréa Flores
Performance Musical: Leoci Medeiros
Direção Musical: Leoci Medeiros e Thales Branche
Direção Vocal: Thales Branche
Preparação Vocal: Tainá Coroa
Trilha Original: Thales Branche, Andréa Flores e Leoci Medeiros
Iluminação: Vandiléia Foro e Coletivas Xoxós
Ambientação Cenográfica e Figurino: Coletivas Xoxós
Confecção de Bonecas de Pano: Rejane Sá
Fotografia e Design Gráfico: Danielle Cascaes
Assessoria de Imprensa: Lucas Del Corrêa
Gerenciamento de Mídia: Lucas Corrêa e Yasmin Seraphico
Direção de Palco: Roberta Flores e Leoci Medeiros
Produção Audiovisual: Grazi Ribeiro
Direção Audiovisual: Alexandre Baena
Encenação e Direção Cênica: Wlad Lima
Sobre o coletivo
Dia 06/05: Aula de dança – Gu Ieladian / RO
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| Gu Ieladian - divulgação |
Tutorial de uma coreografia, sentaDONA remix, uma música do estilo pop/bregafunk que está super em alta nas paradas músicais. A coreografia é baseada na original (coreógrafo Flávio Verne e do tiktok), com adaptações do canal da FitDance. Vai ser ensinado 50 segundos da música.
Sobre a artista
Pocket Show – Sarah Soul / RO
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| Sarah Soul - foto Mateus Fidelis |
Sarah Soul apresenta um show autoral com músicas inéditas que serão lançadas no seu próximo álbum chamado “correria”.
Sobre a artista
Dia 07/05: Curta-metragem performativo Sobre pele, palavras e decomposição – Amanara Brandão / RO
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| Sobre pele, palavras e decomposição foto Cleber Cardoso |
No curta-metragem Sobre pele, palavras e decomposição, o recurso do hibridismo de linguagens é utilizado para a criação de uma "experiência audiovisual literário-performativa" de celebração do movimento, da poesia cotidiana e da indocilidade dos corpos. Com textos autorais apresentados através de cinco breves cenas, a autora constrói sua poética audiovisual através das palavras, das luzes, da musicalidade, da corporeidade e da atuação performativa.
Ficha Técnica
Direção, texto e performance: Amanara Brandão Lube
Câmera e montagem: Rafa Brito Correia
Trilha sonora: João Belfort
Iluminação: Chicão Santos
Atriz convidada: Flávia Diniz
Fotos: Cleber Cardoso
Locação: Espaço Tapiri
Produção: Amanara Brandão Lube
Sobre a artista
Show Derramagoa de Mulher – Clarianas / SP
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| Clarianas - foto Nego Júnior |
"Cânticos de Cura, Proteção e Asè" Clarianas apresenta neste show, cânticos para evocar a força de proteção e cura que tanto necessitamos neste momento específico do país e do mundo.
Ficha técnica
Cantadeiras: Naruna Costa/Martinha Soares/Naloana Lima
Violão e Viola: Giovani di Ganzá
Violino e Rabeca: Carla Raiza
Baixo: Augusto Iúna
Percussão: Jackie Cunha
Arranjos: Giovani Di Ganzá
Direção Musical: Naruna Costa
Equipe Técnica:
Roudie/Cenógrafo e iluminador: Rager Luan
Produtor: Washington Gabriel
Estudio 185
Direção audiovisual:Beto Mendonça
Câmeras: Gabi Oliveira e Bruno Marques
Técnico de som: Gustavo Du Vale
Parcerias:
Figurinos: Casa Cléo e Ateliê Sal
Jóias: Arte Ameríndia (ponte da Alice Haibara com a arte das mulheres das tribos Kaiapó, Xucuru, funiô e do Xingu)
Fotos: Nego Júnior e Bia Verella
Sobre o grupo
SOBRE A PROPONENTE DA MOSTRA A CENA NEGRA AMAZÔNICA
SERVIÇO
O QUE: Mostra A Cena Negra Amazônica (2ª edição)
QUANDO: Dias 05, 06 e 07 de maio de 2022 às 19h (horário de Rondônia).
ONDE: pelos canais do Teatro Ruante – YouTube e Facebook
MAIORES INFORMAÇÕES: (69) 99201-6765
Fonte: Assessoria de Imprensa da Produção















