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terça-feira, 23 de julho de 2019

MEMÓRIAS DA MARGEM: O NÃO-RIO, AS LAVADEIRAS E A HISTÓRIA QUE RENASCE


Dennis Weberton Vendruscolo Gonçalves[1]

Trabalho apresentado ao curso de Licenciatura em Teatro da Fundação Universidade Federal de Rondônia (UNIR), na disciplina “Teatro Brasileiro”, sob orientação do Professor Mestre Adailtom Alves Teixeira.

Acompanhe o processo de montagem do espetáculo “À Margem”, idealizado por mulheres do Grupo de Teatro Wankabuki, de Vilhena (RO)

“Caiu, caiu, do pé de ipê, uma flor amarela bonita de ver”, cantam enquanto descem a barranca de um rio. Você vai ouvir mais uma vez, quem sabe a única vez o canto delas.  Essas mulheres que viram e ouviram a história contada nas feiras, após missas, num encontro furtivo entre comadres, nas beiras dos rios, seus locais de trabalho. Nessa história gente importante é vista de longe, com olhos bem miúdos e com pouca palavra. Outras bocas, as bocas e braços invisíveis, desenrolam as trouxas de lembranças, de fragmentos domésticos, esfregam as roupas-memórias, enxáguam na água-acontecimento-esquecimento e colocam para secar nos varais do tempo. Um tempo em que poeira, lama, suor, e por que não, lágrimas, garantiam o sustento de muitas mulheres e suas famílias em Rondônia. Este estado, com todas as suas complexidades e disparidades, com céu azul, como brada o hino rondoniense, e também com seus rios assoreados, mortos, encurralados, é revisitado no espetáculo “À Margem”, realizado por mulheres artistas do Grupo de Teatro Wankabuki, localizado no município de Vilhena, distante mais de 700 km da capital Porto Velho.
Valdete Sousa. Foto Dennis Weber.
A trama de “À Margem” foi construída a partir de vozes femininas, de mães e avós, que em cena contam as histórias de rios mortos e também de famílias que abandonaram suas origens em outras paragens do Brasil e partiram em busca do Eldorado, da terra prometida, da fartura disponível mais ao Norte, como bradavam os anúncios midiáticos. “Em 2016 nós montamos ‘Contos do não-rio’ [uma breve cena apresentada na segunda edição do Festival Amazônico de Monólogos e Breves Cenas] que provém de uma pesquisa sobre a vinda das nossas mães para cá. Eu sentia necessidade de começar a falar daquilo que é nosso. Eu queria contar a história de um rio morto, como tantos outros que temos aqui na cidade, dentre eles o Pires de Sá. Ao mesmo tempo eu via que a história desse rio passava pela história da ocupação de Vilhena. Enquanto a cidade ia crescendo o rio ia minguando, então queria falar sobre isso. Comecei a conversar com minha mãe e com pessoas mais velhas, perguntando como que era quando elas tinham chegado aqui. Daí eu tive esse estalo da vinda da minha própria mãe e comecei a relembrar as histórias que escutei na infância e desta forma foi surgindo a dramaturgia de ‘À Margem’”, relata Valdete Sousa, uma das fundadoras do Grupo de Teatro Wankabuki e responsável pela dramaturgia e direção de “À Margem”, espetáculo contemplado pelo Prêmio Sesc de Incentivo às Artes Cênicas em 2018.


Resgatando um quase morto
O Rio Pires de Sá, ao qual Valdete se refere, é um dos mais importantes de Vilhena e está localizado, em partes, na zona urbana do município. Ao longo do processo de ocupação populacional, o rio foi degradado, chegando a quase sumir. Quase. Através da iniciativa da professora Ana Neri, que atua em uma escola estadual, um projeto propôs a recuperação de nascentes e matas ciliares. O resultado foi o plantio de mais de sete mil mudas e a preservação de uma das nascentes, como aponta uma reportagem publicada em 24 de outubro de 2014 pelo Portal de Notícias G1 Rondônia. Em contato com a professora, Valdete tomou conhecimento das pesquisas realizadas.  “Ela tem essa pesquisa com mais de dez anos, que faz junto com os alunos da escola. Em conversa, ela falava sobre o Pires de Sá, sobre a revitalização do rio, que antes estava só um filete, já não tinha nem água mais, e aí comecei a me interessar muito por essa pesquisa dela e falei ‘Ana Neri a gente tinha que escrever um espetáculo sobre isso né’. Comecei com essas conversas com a minha mãe sobre um rio que tinha quando nos mudamos para Ji-Paraná e que hoje não existe, e era um rio limpinho que pegávamos água. Queria então falar como foi a vinda dessas pessoas para o estado de Rondônia e como isso, de certa forma, foi matando esses rios. No início era disso que eu queria falar e acabou entrando nesta história das lavadeiras, que ficavam nesses rios e que lavavam roupas”, detalha a dramaturga que é licenciada em Letras/Português pela Universidade Federal de Rondônia. 
Tainá Sousa e Valdete Sousa. Foto Dennis Weber.
A partir de relatos orais a Valdete foi tecendo os primeiros contornos da trama já apresentada mais de dez vezes em diferentes cidades do Estado de Rondônia, dentre elas a capital Porto Velho, além de Ariquemes, Nova Mamoré e Vilhena, município onde reside boa parte do Grupo de Teatro Wankabuki. “Fui ouvindo histórias, conversei mais com a Ana Neri, relembrei muitas histórias do meu pai, fui coletando esses fragmentos orais, depois parti para a pesquisa histórica. Li sobre a passagem de Rondon por aqui, a respeito da lenda do Urucumacuã, que conta a história de que aqui nós temos o maior tesouro perdido, que é uma coisa que os incas já pensavam. Fui muito nesse filete da história, que fala sobre a passagem de Rondon pelo Cone Sul, de como ele achou que aqui tinha um tesouro perdido e que iria deixar o país inteiro rico. Depois de tudo isso coletado, eu abandonei o texto por um tempo. Quando ganhamos o prêmio do Sesc retomei as pesquisas.  E aí, durante uma noite inteira acordada, escrevi a peça. Peguei o texto “Contos do não-rio”, reestruturei e redigi como peça mesmo, com os cinqüenta minutos de cena que o espetáculo tem hoje”, narra Valdete.

           Lavadeiras não há mais!
O rio quase morto ganha voz através das bocas de duas lavadeiras, que na peça não possuem nomes, e que podem ser a mãe, a avó ou a tia de você que está lendo esta reportagem. São elas, que ao longo de quase uma hora de espetáculo, vão destrinchar a história de ocupação do estado de Rondônia, da busca desenfreada por riquezas, de pequenos e grandes, e também das desventuras dos mais fracos, daqueles que o discurso hegemônico relegou as margens do processo histórico. “Nós estamos falando de mulheres que não só vieram para Rondônia, mas que ficaram no estado. Na maioria das famílias com as quais conversamos, a família vinha inteira para cá, mas quando chegaram aqui e os homens descobriram o quão duro era trabalhar nessa terra, uma terra com muitas facilidades, mas também dificuldades, então alguns desses homens ficaram com certo melindre, e voltaram para casa, que foi o caso do meu pai, e as mulheres não quiseram voltar, porque a viagem era muito cansativa, e já que estavam aqui, porque não fazer daqui seu lar? Então as mulheres ficaram e criaram seus filhos”, expõe Valdete. 
Foto Dennis Weber.

            A opção por colocar lavadeiras como protagonistas de “À Margem” foi, ao mesmo tempo, um resgate de uma personagem que a tecnologia está suprimindo do imaginário popular, como também uma homenagem à sua mãe que foi lavadeira, explica Valdete. “É uma personagem que está no imaginário da nossa história, mas ele deixou de existir. Você não encontra mais mulheres lavando roupa nos rios. Você vai ao Rio Machado não tem mais ninguém, no Madeira só se for nas comunidades menores que você vai ver alguma mulher lavando. É uma personagem que está começando a desaparecer da nossa região. Apesar de ter muitos rios aqui, você quase não vê mais a mulher na beira do rio com um batente batendo roupa. Era uma personagem que eu queria resgatar, trazer de volta e mostrar ela na cena”, acrescenta. 

           Retrato de todos nós
Partindo de histórias pessoais, de memórias das décadas de 1960, 1970, 1980, “À Margem” tem como ponto de partida narrativo a família de Valdete, desembocando em uma saga que congrega as vivências e desafios de muitas outras e outros que se aventuraram em busca de pedras preciosas, terras e de uma vida menos sofrida. Contar essa saga, para Valdete, não foi difícil. É uma história tão recorrente que poderia ser de qualquer família daqui da região. É muito normal isso acontecer aqui, por isso não foi difícil levar para a cena, porque é uma intimidade que não é só minha, é de um monte de gente. Foi divertido, tem umas passagens que são muito interessantes de lembrar. Eu recordei junto com a minha mãe, ficamos mais próximas. Fiquei muito feliz quando ela viu a peça. Toda vez que vê ela chora, então quer dizer que de alguma maneira a peça está tocando. Venho tentando transformar assuntos pessoais em histórias universais, ideia que eu ouvi do Fabiano Barros. Ele faz muito isso, cada espetáculo dele é uma história que ouviu de alguém e ele vai lá e escreve e transforma em uma coisa em que todo mundo já viveu. Pensei muito sobre isso, em quantas histórias que eu conheço da minha família, ou de algum conhecido e que podem ser trabalhadas em cena. Em “A Margem”  consegui ir permeando pelas histórias da família, junto com a pesquisa sobre Rondônia”,  relata.
Débora Veiga Ruiz. Foto Dennis Weber.
Emoção é o termo utilizado pela atriz Tainá Sousa para definir o que o espetáculo “À Margem” causa nela a cada vez que pisa no palco e interpreta uma das lavadeiras. Em cena ela se depara com episódios familiares de sua mãe e também de seu tio, sua tia e sua avó.  “É sempre emocionante quando falamos a respeito, principalmente para a minha avó, sempre que ela assiste. Nossa família possui uma grande quantidade de histórias, e isso é muito bacana, principalmente pela criatividade de cada uma delas. O espetáculo fluiu facilmente tendo essas memórias como embasamento”, descreve a jovem que é sobrinha de Valdete e está no grupo desde 2014.
Um exemplo de como a dramaturgia de “À Margem” se conecta com as histórias de outras pessoas, que não às da família de Valdete e Tainá, pode ser conferido no relato de Débora Veiga Ruiz, responsável pela sonoplastia do espetáculo. “Apesar de não estar no grupo na época da pesquisa, a história da minha família também é representada ali: família grande de retirantes do nordeste, que vem em busca do ‘Eldorado’ e de uma vida melhor. Minha avó, minha mãe e minhas tias lavaram roupas no Pires de Sá, o nosso ‘não rio’ de hoje”, fala.

         Criando tempos e espaços amazônicos
Sons de passos pisando em folhas secas, passarinhos cantando, outros animaizinhos também registram sonoramente passagem pela cena. Ao mesmo tempo, as lavadeiras cantam amores e desilusões, enquanto lavam as roupas das gentes que vieram do Sul do país.  Com esses elementos sonoros e outros, o espetáculo “À Margem” propõe aos espectadores um mergulho em um tempo e clima amazônicos, como descreve Valdete. “O incômodo que às vezes as pessoas sentem quando assistem ao espetáculo, por ter uma brecha de tempo que não acontece ‘nada’ no palco e fica só a sonoplastia ou com pouca luz, é proposital, porque a gente quer criar esse espaço amazônico. Minha proposta, no início, era que ele fosse totalmente sensorial, que as pessoas sentissem um cheiro de mato, de lugar molhado, de beira de rio, ouvisse o que tem nessa mata que a gente nunca pára pra ouvir, e que sentisse esse tempo amazônico que não passa nunca, que é um tempo looongo. Era nisso que a gente estava pensando quando criamos essa sonoplastia”, relembra.
Grande parte dos efeitos sonoros do espetáculo é executada pela sonoplasta Débora. “A ideia de fazer a sonoplastia ao vivo, era a de levar o público a uma maior imersão à floresta e ao rio, onde se passam as cenas. Na época, a Tainá Sousa fazia a sonoplastia, utilizando apitos, chocalhos e instrumentos que o grupo já possuía. Quando entrei para fazer a sonoplastia fui acrescentando outros sons de pássaros com os apitos que o grupo já tinha, acrescentei o som do ‘caminhar na mata’ e durante a produção também fomos comprando outros instrumentos, como o pau de chuva e o sapo. Então essa sonoplastia está em construção contínua, conforme vamos encontrando elementos que se adéquam ao espetáculo, vou acrescentando. E a própria sonoplastia de cada apresentação, por ser ao vivo, é sempre única. Vou fazendo conforme sinto a cena”, informa a profissional que atualmente estuda o Curso de Tecnologia em Teatro, com ênfase em Sonoplastia em Cuiabá (MT).
Foto Dennis Weber.

Além dos sons da natureza, o espetáculo é marcado por cantos de trabalho. “A maioria são músicas populares e já estão em domínio público, outras eu criei. Nesse espetáculo a música não é ilustrativa, é necessária. Minha mãe, por exemplo, canta várias coisas que ela cantava quando estava lavando roupa ou fazendo algum trabalho manual. Isso é uma coisa que é normal, principalmente para o povo nordestino, que sempre está cantando enquanto trabalha, para entreter a mente, para o tempo passar mais rápido”, explica Valdete.
Enquanto isso, a iluminação do espetáculo, ora amarelada, ora vermelha, recria os dias ensolarados tão comuns em Rondônia.  “A escolha das cores é por conta dessa cor que temos no nosso estado, desse sol. Eu queria trazer essa ideia e um pouco do amarelo representa a cor da água do rio, que é da cor de folha amarelada, que nós temos aqui, que não chega a ser um rio escuro, nem límpido também, é amarelado, e a iluminação ela parte por aí, uma vez que a maioria das cenas vai acontecer embaixo desse sol, com as lavadeiras fazendo o trabalho delas”, esclarece Valdete, que destaca também que “À Margem” pode ser apresentada em espaço aberto. “Depois da estreia, em outras ocasiões apresentamos durante o dia, numa escola, embaixo de umas árvores. Foi lindo, com a iluminação do sol e com as árvores balançando”.

          Um cacaio (ou sarapilha) cheio de recordações
“Nossa, ficou lindo! Que maravilhoso! O senhor é um artista!!!”, elogia Valdete que observa o caminhãzinho feito de madeira pelo artesão Vilson. Estamos em uma manhã de sábado (11 de agosto de 2018), em que a artista verifica o andamento da confecção de alguns objetos de cena do espetáculo, que estreará no Palco Giratório, no dia 16 de setembro de 2018. O ancião apresenta alguns truques que adicionou para o brinquedo/objeto de cena ter melhor desempenho. “Que legal! Isso daqui vai ser um show. Tem é que tomar cuidado, porque a criançada vem tudo em cima”, diz a atriz aos risos. Além do caminhãozinho, que será utilizado na cena de abertura para retratar a vinda dos migrantes ao estado de Rondônia, seu Vilson também está responsável por confeccionar uma mala (onde será guardado o caminhão) e um baú que servirá para armazenar parte do cenário e de apoio para a manipulação dos bonecos. Entre uma conferência e outra, o artesão, sabendo do enredo da peça, confidencia memórias sobre a sua vinda para Rondônia, dentre elas, as características do cacaio, por ele chamado de sarapilha, utilizado por moradores durante suas jornadas entre uma cidade e outra, muitas vezes, percorridas a pé. É nesse espírito de resgate, onde todos os habitantes têm algo a dizer sobre a colonização do estado, que “À Margem” finca sua dramaturgia, provocando identificação até mesmo antes de estrear. 
Foto Dennis Weber.

Antes de ser madeira serrada e esculpida, o caminhão e outros objetos de cena foram ideias que pularam da cabeça de Tainá para os papéis. “As coisas do cenário, a maioria foi a Tainá quem desenhou, os caixotes, o caminhão, a mala. Os outros objetos de cena eu fui inserindo conforme as necessidades, as bacias, os baldes, as panelas, colheres, muito dessas coisas que estão na cena são da minha mãe. A  maioria são de objetos que já tem uma história, uma afetividade que já vem de outros lugares”, informa Valdete.
Tainá, que cursa Arquitetura e Urbanismo, conta que a sua formação contribuiu com alguns conhecimentos extras na hora de pensar os objetos de cena,“[...] mas minha maior experiência com artes manuais adquiri sozinha por ser uma área que me dedico desde a infância. A minha área de formação é importante quanto ao planejamento técnico dos adereços e cenários, assim posso passar para o papel de forma mais precisa e adequada e em seguida executar”.

            Lençóis, bonecos e uma trouxa de roupas com muita prosa  
Os lençóis no varal anunciam que a cena é um local de trabalho. A eles vão se juntar mais tarde, outras estampas, tamanhos, formas e texturas. A água do pequeno riacho instalado em cena, aliada à técnica, ao sabão e à força dos resistentes braços das lavadeiras, vai limpar suor e outros fluídos depositados nas roupas dos migrantes mais abastados. Vai limpar também as roupas das lavadeiras que, com esmero, mantém suas vestimentas sempre em bom estado de conservação. “Para o figurino eu fiz uma pesquisa sobre lavadeiras, vi algumas fotos de mulheres que lavavam roupa no nosso Estado. Também pesquisei sobre lavadeiras em outras partes do país. A partir disso comecei a esboçar o figurino. Fiz uma pesquisa sobre tecidos que eram utilizados na época, conversei com a minha mãe sobre as roupas que ela tinha quando chegou aqui. Demorei certo tempo nesta pesquisa, porque não é fácil achar tecidos mais antigos, os tecidos são todos novos, com elastano e outras coisas e eu queria um tecido que realmente fosse do período. Algumas pessoas falaram na estréia que o figurino tinha que estar amassado, sujo, mas na pesquisa que fiz, não vi nenhuma lavadeira suja, nem amassada, nem mal arrumada.  Elas usavam sim a roupinha para dentro da saia, a blusinha bem abotoada, a roupa limpa, porque afinal de contas elas são lavadeiras, então a roupa tem que estar limpa, porque se elas pegam a roupa dos outros para lavar e chegam lá todas sujas, quem é que vai querem contratar né”, comenta Valdete a respeito de uma das críticas que recebeu sobre o espetáculo.
Tecido é o que não falta em “À Margem”, além de estar presente nos figurinos, espalhado pelo cenário, ele também é a base para confecção de dois bonecos que personificam a infância de Valdete e de seus irmãos. “Com esses bonecos de pano eu queria trazer essa referência da minha infância e da minha irmã. Então eu coloco as duas crianças do espetáculo sendo esses bonecos de pano, para trazer essa lembrança da brincadeira”, explica a atriz que confessa gostar de manipulação de formas animadas: “Desde o início quando comecei a fazer teatro, já trabalhava com a manipulação de fantoches. É um assunto que me interesso muito”.

            História para todas e todos
As vozes que falam em “À Margem” são de gente silenciada pelo discurso hegemônico, varridas ou só lembradas de forma superficial no processo histórico-político do Brasil. “Se for dar voz para aquele que já tem nos livros de história, na TV, ou que já tem o poder, então não tem porque estarmos fazendo esse trabalho. Nós, enquanto atores, dramaturgos, diretores de teatro, precisamos trazer para a cena aquilo que as pessoas não conhecem bem no dia-a-dia. É trazer as nossas lendas que estão desaparecendo, sumindo embaixo de tanta tecnologia. É resgatar nossos personagens cotidianos  os quais passamos por eles todos os dias e fingimos não ver, é apresentar esses personagens que passaram em branco na história e que realmente construíram o Estado, quem com a força de trabalho, com o suor da testa, como diz no texto, construiu esse estado aqui do zero”, argumenta Valdete.
Nubia Labov. Foto Dennis Weber.
As vozes dos esquecidos pela historiografia oficial é o que alicerça “À Margem”, mas só isso não é o suficiente. É preciso contar uma história que o máximo de pessoas compreendam. Para isso, as atrizes do Wankabuki, durante a concepção do espetáculo, pensaram na questão da acessibilidade, propondo a tradução e interpretação em Língua Brasileira de Sinais (LIBRAS). “A interpretação em Libras é algo que descobrimos ao começar a montar o espetáculo “Já passa das oito”. Levamos uma leitura dramatizada da peça para uma escola e lá tinha vinte surdos, aí a Lu Rodrigues [integrante do Grupo de Teatro Wankabuki] conseguiu um tradutor de Libras da escola, e nos apresentamos. Foi tão lindo, a gente se emocionou tanto. Foi tão bom e gratificante, que fiquei com isso na cabeça. E quando fomos montar o projeto para o SESC, o edital pedia a questão da acessibilidade e eu coloquei. O trabalho com a intérprete em cena fazendo a tradução foi maravilhoso, ainda mais com a nossa intérprete, que é a Nubia Labov, uma das melhores interpretes do estado. Ela se dedicou muito ao texto e à tradução e interpretação do mesmo”, contou Valdete. 
Visitas guiadas ao cenário para pessoas cegas ou com baixa visão também integram as propostas de acessibilidade do espetáculo. “Em 2018, quando assisti ‘Seu Bonfim’, fiquei surpresa positivamente com a existência de interpretação em libras do espetáculo, feita por vídeo. Foi a primeira vez que vi esse tipo de acessibilidade no teatro. O edital do SESC exigia a inclusão, então essa foi uma das alternativas que escolhemos. E a questão das visitas guiadas foi uma dica que pegamos com o Território Sirius de Teatro, que também tinha essa opção para Seu Bonfim. Uma coisa que o Sidney [amigo que apresentou questões de acessibilidade e inclusão para Débora em um grupo do Facebook, em 2016] sempre diz, é que a acessibilidade deve vir antes da necessidade, então sempre que possível levo para os projetos que participo essa mentalidade. Vemos poucas pessoas ou nenhuma com deficiências físicas no teatro porque não é acessível a elas. E a acessibilidade é uma forma de fidelizarmos um público que é carente de acesso às artes”, relata Débora.

           As vozes que narram o percurso
     Do que é feito um espetáculo? Uns dirão que é feito de maquiagem (que vai transformar jovens em senhoras com mais de 40 anos), de luz (que vai reproduzir aquele sol quente do Norte na moleira de quem trabalha longe da sombra), de sons (que vai te levar para dentro da mata, para perto do rio), de vestimentas (limpas, estampadas, com cores fortes ou mais suaves), de objetos cênicos (construídos ou emprestados que levarão nossas imaginações para três, quatro ou cinco décadas atrás). Outros vão citar ainda os discursos recolhidos de fontes múltiplas e que são costurados e colocados ao sol da criatividade para germinar. E por fim vão destacar que um espetáculo é composto de gente, principalmente de gente (que vai se desdobrar para escrever, dirigir, atuar, divulgar, e muitas outras funções, não é mesmo Valdete, Tainá e Débora?). E gente mulher, que fique bem claro. “São mulheres em cena, falando sobre mulheres e o espetáculo foi escrito e dirigido por uma mulher, então é muito forte. É um espetáculo totalmente feminino. Em Vilhena, praticamente são só mulheres que fazem teatro. É muito difícil encontrar um homem para fazer um personagem. Os homens entram e saem do grupo, não se firmam, não ficam”, reflete Valdete. 
Esse protagonismo feminino veio de uma forma quase natural, segundo Tainá. “No fim das contas, apenas nós mulheres ficamos para assumir os espetáculos. É importante lembrar que além dos palcos somos responsáveis pela parte técnica, montagem dos cenários, por vezes a iluminação e transporte de tudo, isso reforça a independência e força do grupo, principalmente para outras mulheres”, destaca.
Foto Dennis Weber.

Débora explica que busca incentivar e divulgar a produção cultural e artística de mulheres. “Pois se não formos nós a levantarmos uma às outras, quem será? Então me sinto muito grata de trabalhar com mulheres tão maravilhosas e ativas no fazer artístico. Eu acho muito simbólico e potente sermos só mulheres em cena, pois a própria raiz da dramaturgia são as histórias reais de nossas mães, avós e vizinhas que vieram para Rondônia atrás de um futuro melhor. E chegando aqui, tiveram que enfrentar situações desagradáveis em uma sociedade muito mais machista do que hoje. E apesar do distanciamento temporal, mesmo um curto período de tempo, Rondônia é um estado muito novo e o espetáculo gera fácil identificação e reconhecimento no público que assiste. Por isso acho importante que esta encenação esteja acontecendo hoje, pois retrata um período não muito distante, mas que ainda representa a cultura local. É fato que vivemos em uma sociedade patriarcal, machista e capitalista e por estarmos inseridos nessa sociedade, muitas vezes não enxergamos as problemáticas que essa estrutura gera, pois parece tudo normal e natural. Mas apresentando ao público esse recorte no formato de teatro, acredito que conseguimos dar algumas cutucadas e fazer algumas pessoas pensarem e se questionarem sobre o assunto”, complementa a artista.

             1, 2 , 5... 10... 15 anos de aventuras...
O figurino de lavadeira já está no corpo da atriz, enquanto ela, com maquiagem, vai se transformando em uma mulher mais velha. O clima no camarim é de descontração, muitas risadas. Tainá faz aquecimento vocal enquanto define os contornos de sua personagem. Débora, a sonoplasta e social media do Wankabuki, confere as redes sociais do grupo.  A tradutora e interprete de LIBRAS, Nubia Labov, dá mais uma olhada no texto. O celular grava Valdete, e o interlocutor pergunta: “Val, como você se sente fazendo esse espetáculo agora...” ao que a atriz já dispara: “Com as pernas tremendo, né, porque a gente vai estrear no Palco Giratório!”. É dia 16 de setembro de 2018. Estamos a poucos minutos da noite de estreia de “À Margem”, no principal evento de artes cênicas de Rondônia, promovido pelo SESC: o Palco Giratório.  Mas o trabalho no Teatro Sesc Esplanada I começou bem antes, com a montagem da piscina no meio do palco, que representa o rio não-rio, com a afinação da luz realizada por Edmar Leite e um último ensaio para garantir que tudo funcionará conforme o planejado.
Foto Rafael Reis.

Aos poucos, o público vai ocupando as cadeiras de local, até que ... começa o espetáculo. Tainá entra em cena com uma mala grande de onde tira o caminhãozinho de madeira confeccionado pelo senhor Vilson. Adiciona na carroceria alguns bonecos de pano, que representam aqueles que migraram para a região Norte nas décadas anteriores. Em seguida empurra o brinquedo pelo palco simulando o trajeto cheio de obstáculos (o corpo da atriz se transforma em morro) até a chegada na terra de oportunidades. Seguem-se cenas com cantos de trabalho, conversa entre as lavadeiras, manipulação de bonecos que remetem à infância de Valdete e seus irmãos, entrada e saída de um cacaieiro/garimpeiro e o final marcado pelo desparecimento das lavadeiras que, agora atrizes, se banham nas águas de um rio barrento ao som do Hino de Rondônia: “Aqui, toda vida se engalana, de beleza tropical, nossos lagos, nossos rios, nossas matas, tudo enfim”. A luz vai sumindo... e fim. 
            As atrizes se secam (depois de ficarem quase uma hora dentro da piscina com água), enquanto conversam com parte do público que ficou após o espetáculo para o bate papo. “Por ser a estreia oficial, após alguns ensaios abertos apenas, fiquei um pouco nervosa, mas me senti preparada e confortável”, confidenciou Tainá meses após a primeira apresentação. De lá para cá foram mais 12 apresentações de “À Margem”, a última delas, mais uma vez, em Porto Velho, durante o Madeira Festival de Teatro, realizado entre os dias 05 e 09 de junho de 2019.  O espetáculo percorreu, em outubro de 2018, escolas estaduais e outras organizações, tocando em temas como protagonismo feminino e preservação ambiental, assuntos recorrentes na trajetória de mais de quinze anos no grupo. “Montamos de tudo, mas temos uma pegada ecológica. Em um dos textos montados falamos do desaparecimento dos índios e natureza [Espetáculo “A lenda da ecologia”, apresentado em 2005, logo no início do Wankabuki]. Em outro, o Perdidos na Floresta, de 2010, conversamos com crianças sobre a preservação do meio ambiente. Mas também trabalhamos com espetáculos que vão tratar sobre o feminino e espetáculos políticos, onde discutimos sutilmente sobre o que está acontecendo no país, na nossa cidade. Temos performances de 2014, durante a Copa do Mundo, que vão discutir várias questões políticas que o país estava passando e enquanto estava todo mundo assistindo futebol e comemorando. Nós temos uma pegada crítica em relação a vários assuntos. Se não for para criticar e falar das coisas erradas, para que trabalhar com arte, né?”, alfineta Valdete.
De 2003 até os dias atuais foram muitos os trabalhos desenvolvidos pelo Grupo de Teatro Wankabuki, que surgiu dentro da Universidade Federal de Rondônia, Campus de Vilhena. A ideia de se reunir para montar um espetáculo foi de Valdete Sousa, que havia acabado de chegar de Ji-Paraná, onde morava e participava do Grupo Arterial. A jovem migrou para o Cone Sul com o objetivo de estudar Licenciatura em Letras na Unir. “Eu precisava continuar a fazer teatro, porque pra mim teatro é uma necessidade. Comecei a ir em tudo o que diziam que era grupo de teatro, fui em teatro de escola, fui em outro que era de igreja. Queria entrar em algum grupo, não queria montar um, só que não me identifiquei com nenhum deles. Achei os trabalhos um pior que o outro.  Pensei: ‘vou na Unir mesmo, ver o que acontece’. E lá encontrei duas pessoas que se interessavam, a Núbia Rodrigues e a Diomar Soares. Começamos a conversar e elas falaram: ‘Ah que legal, também queria fazer teatro, mas nunca soube como é’.  Mostrei o texto ‘Morte e Vida Severina’ para elas,  tinha trazido todas as coisas do espetáculo que já havia sido montado pelo Arterial . O Firminetto Mendes [artista de Ji-Paraná que comandava o Grupo Arterial] me deu figurino, painel, o que tinha do espetáculo ele me deu.  Aí falei para as meninas: ‘Olha, a gente podia montar” e elas já se apaixonaram, porque João Cabral não tem como não se apaixonar, e daí começamos a trabalhar esse texto. Éramos só em três, fomos agregando gente, convidando”, relembra a presidente do grupo.
            O trio recebeu apoio de um dos professores do Departamento de Letras, Oswaldo Gomes, que estava em processo de montagem de um grupo na UNIR. Em 2004, o grupo estreou “Morte e Vida Severina”, durante o IX Seminário de Estudos Linguísticos e Literários (SELL), evento organizado pela instituição educacional. “As montagens eram bem simples, até porque eu não tinha o conhecimento que tenho hoje, que não é tanto, mas que é mais do que era naquela época [ri]. Uma coisa que eu sinto falta que fazíamos no início e que não fazemos mais é trabalhar muito com literatura. Hoje não trabalhamos mais tanto assim. Entramos em outra fase, que é a da pesquisa”, segreda Valdete.
            A esta altura da reportagem, você deve estar se perguntando qual o significado ou origem do nome estranho do grupo, né? A resposta foi dada em um livro-reportagem escrito pela atriz Núbia Rodrigues, para conclusão do Curso de Comunicação Social/Jornalismo na Unir de Vilhena. “Numa tarde enquanto subíamos a pé a rua que nos levava até a Unir, [...] Valdete, Diomar, Poliana e eu conversávamos sobre um tipo específico de teatro japonês, surgido por volta do século XVII,  [...] o Kabuki era o assunto do momento, em meio dele a constante busca por um nome para o grupo. Uma de nós que estava um pouco mais distante e distraída disse ‘ãh... kabuki?’ outra ouviu e repetiu ‘uãn kabuki’ e todas gostaram do novo som que ouviram. ‘Esse dá um nome bacana’, ‘diferente’, ‘original’, e logo estava definido e surgia, então, o Grupo de Teatro Wankabuki”, relata no livro ainda não publicado, a também licenciada em Letras e umas das fundadoras do grupo.
De Mostras de Performances (2012 a 2014), aos Festivais de Monólogos e Breves Cenas (2015, 2016 e 2018), passando por produção de videoclipe (Negrolô, 2006), leituras dramatizadas (promovidas principalmente pelo Sesc entre os anos de 2012 e 2014), saraus (Poesia da Boca para fora – 2011 e 2012), temporadas de espetáculos (Morte e Vida Severina, A lenda da Ecologia, Vai Carlos, ser gauche na vida, Tragédia no Lar, Perdidos na Floresta, José & Cia, Jujubinha e Paçoquinha em Gostosuras e Travessuras, O Amor de Colombina, Já passa das oito, À Margem) apresentações em praças vilhenenses (Projeto Invadindo a Praça, 2011) e oficinas de iniciação teatral (a partir de 2010), o Wanka, como é conhecido por seus participantes, ex-integrantes e pessoas mais próximas, experimentou várias possibilidades cênicas, passando do palco do anfiteatro da Unir para as ruas, praças, jardins, bares, casa de chá, hospitais, escolas, e outros espaços, figurando nos jornais e sites do Estado do Rondônia. “Um momento que foi muito marcante e que me emocionou bastante foi o primeiro festival que realizamos em 2015. O projeto do festival estava na gaveta já tinha uns dois anos ou mais. Era uma coisa que eu sonhava em fazer, mas não tinha ideia de que ia dar certo. Em 2015 ganhamos o edital do Banco da Amazônia e fizemos o Festival. Foi muito importante, porque mostrou que tínhamos conseguido chegar a algum lugar, trazendo para Vilhena uma série de artistas do nosso estado, para apresentações e outras atividades. O grupo para mim é um filho. Investi uma parcela grande da minha vida nisso, e é por isso que eu cuido, que eu tenho tanto cuidado, porque não é só um grupinho de amigos de fim de semana. Eu vivo isso 24 horas por dia. Minha ligação é muito forte”, revela Valdete ressaltando que o teatro, para ela “[...] é vida, é como se ele fosse um personagem vivo e ele está o tempo todo na minha vida, é uma parte dela. Não tem como ignorar! Se tirar o teatro da minha vida, eu não sei o que sobra”.

            ...  que continuamos a escrever! 
Núbia, que atualmente mora em Comodoro (MT), resgatou em seu livro-reportagem de quase cem páginas, grande parte da história do Wankabuki, desde as primeiras conversas para a montagem de “Morte e Vida Severina”, em 2003, até o momento em que o grupo se torna Ponto de Cultura, em 2017. “À Margem” ainda era uma breve cena (Contos do não-rio), apresentada durante a segunda edição do Festival de Monólogos e Breves Cenas, em 2016, mas já figura na obra. “Resgatando a imagem de um rio que durante muito tempo serviu para que as mães de família lavassem roupa, ou mesmo levassem água para casa, para beber. O espetáculo busca retratar também nuances da natureza desta região amazônica e suas peculiaridades culturais, desenvolvidas através da mistura de povos e cultura”, informa no livro.
Foto Rafael Reis.

De 2017 até agora [junho de 2019], outros momentos importantes da história do grupo continuaram a ser contados em seu blog e outras redes sociais. Um dos mais significativos foi a conquista do Prêmio Sesc de Incentivo às Artes Cênicas em 2018, que propiciou a montagem do espetáculo “À Margem”, obra mais recente do Wankabuki. Em pouco mais de um ano, muitos foram os quilômetros percorridos por Valdete, Tainá e Débora, entre Vilhena e Porto Velho, depois entre Vilhena e Cuiabá e de lá para a capital rondoniense [Débora mora atualmente na capital matogrossense, onde estuda o curso de tecnologia em teatro, com ênfase em sonoplastia], nos mesmos caminhos pelos quais passaram milhares de migrantes. Tudo isso com o objetivo de levar a públicos variados as histórias de lavadeiras, de um não-rio, de gentes à margem. Enquanto isso, relatos sobre apresentações, oficinas, enfim, das ações do Wanka, são postados quase que diariamente no Facebook, Instagram, apresentados em podcasts, entrevistas para emissoras de televisão, livros-reportagens e trabalhos acadêmicos, como este que agora você está terminando de ler. “Fico feliz porque dentro do grupo nós temos outros pesquisadores [Valdete pesquisou sobre a história do teatro em Rondônia para conclusão da Licenciatura em Letras/Português] como, por exemplo, a Núbia, que também fez a monografia dela em cima da história do grupo. Acho que a gente tem mesmo que falar sobre a nossa história, pesquisar mais sobre ela. Nós sempre tivemos essa ligação muito forte com a universidade, nós surgimos lá, então sermos convidados para congressos, ter citação sobre o grupo em um trabalho de pós-graduação de uma acadêmica da Universidade Federal do Amazonas falando sobre o nosso Festival [Amazônico de Monólogos e Breves Cenas], me deixa feliz, porque nós estamos servindo de material de pesquisa para outras universidades, outros pesquisadores e estudantes. Isso quer dizer que de alguma forma estamos começando a crescer”, pontua Valdete, enquanto planeja as próximas ações do Wankabuki.

REFERÊNCIAS
OLIVEIRA, Núbia Rodrigues de. Wankabuki: o palco é a vida! Trajetória de um Grupo de Teatro. 2017. 96 f. Trabalho de Conclusão de Curso (Graduação) – Fundação Universidade Federal de Rondônia, Vilhena,  2017.  




[1] Graduado em Comunicação Social pela UNIR; acadêmico do Curso Licenciatura em Teatro da UNIR.

terça-feira, 28 de maio de 2019

Água de Chucalho e sua caminhada pelo Brasil

Adailtom Alves Teixeira[1]

A década de 1980, no que tange à história do teatro em Porto Velho, realmente foi um momento histórico de muita efervescência. Seja pelo fato do Brasil estar saindo de uma ditadura; seja pela organização enquanto unidade federativa (o estado de Rondônia foi criado em 1982); seja pela chegada de artistas de outros estados do Brasil que aportaram por aqui trazendo suas experiências e enriquecendo a cena; seja pela tentativa dos próprios artistas se
Matéria sobre o Água de Chucalho - Foto a partir do arquivo de Bira Lourenço
organizarem e buscarem um maior contato com outros artistas de outros estados do Brasil, inicialmente criando a Federação de Teatro de Rondônia e participando da Confederação Nacional do Teatro Amador (CONFENATA), criando festivais e outras ações; seja pela junção de tudo isso. De fato, ainda não podemos dar respostas definitivas, pois nossa pesquisa está em andamento. Nosso objetivo tem sido juntar as peças do quebra-cabeça e provocar os estudantes, aguçando sua curiosidade sobre a produção teatral rondoniense, já que a produção acadêmica sobre o tema é rara. Nesse aspecto, esse blog se insere nesse objetivo, ao reunir os diversos materiais que vamos encontrando ou construindo.

No último dia 04 de maio convidamos um dos integrantes do grupo Água de Chucalho para uma conversa sobre o trabalho e sobre a experiência desse coletivo pelas ruas e por alguns teatros do Brasil. A conversa ocorreu durante uma aula da matéria Teatro Brasileiro do Curso Licenciatura em Teatro da Universidade Federal de Rondônia. Nosso convidado: Birivaldo Lourenço. Muito conhecido na cena artística, sobretudo na área musical, mas com outro nome: Bira Lourenço.
Bira Lourenço em conversa com estudantes da UNIR

A incursão do Bira pela área do teatro se deu em 1986, a convite dos integrantes do Água de Chucalho para participar de um Festival que ocorreu em Colorado do Oeste naquele ano. Na sequência o artista foi convidado a integrar a circulação que o grupo faria no ano seguinte, 1987, Brasil afora, com o objetivo de chegar até a Argentina. Na bagagem dois espetáculos: Chico Rei de Walmir Ayala (espetáculo de palco) e Quem matou Zefinha? da sergipana Virgínia Lúcia (espetáculo de rua).

O Água de Chucalho, até onde se sabe, foi o primeiro grupo de Rondônia a sair, circular por outros estados do Brasil. Na circulação, não conseguiram chegar até o destina final, marcado para ser a Argentina, mas foram até o Uruguai e retornaram apresentando pelo Nordeste do Brasil. Na viagem de volta, passando por diversos estados da região Nordeste, encontraram outros grupos, como o Alegria, Alegria do Rio Grande do Norte - coletivo que tem uma importância significativa na organização do teatro de grupo, pós-Confenata, já que participou do início do Movimento Brasileiro de Teatro de Grupo (este, ainda pouco estudado).

Bira Lourenço relatou com muitos detalhes a circulação do Água de Chucalho, na qual apresentaram bem mais o espetáculo de rua, já que precisavam apenas dos recursos já disponíveis e as praças onde estavam, público sempre teve. Nos contou também sobre a descoberta e o prazer em
Bira Lourenço e estudantes do Curso Licenciatura em Teatro/UNIR
fazer arte, quando, por exemplo, se viu dormindo em um banco de praça, mesmo tendo casa e um bom emprego, mas que, naquele momento, sentia uma imensa felicidade em estar com os parceiros naquela "divertida" jornada. Na sua perspectiva, ali descobriu o significado de fazer arte.

Na circulação o grupo chegou até Montevideo no Uruguai, passando antes por Curitiba, Londrina, Pelotas, entre outras cidades e, ao retornar, apresentaram-se em Salvador, Aracaju, Natal, Recife, Fortaleza, São Luís e Brasília.

Bira levou uma peça gráfica sobre o Água de Chucalho, na apresentação do grupo podemos ler o seguinte:
"O Água de Chucalho foi fundado no dia 10 de abril de 1986, na cidade de Porto Velho, com o propósito de mostrar um Trabalho de Teatro de bonecos e de atores, buscando levar sempre uma temática forte, lutando
Capa da peça gráfica sobre a peça Chico Rei
Arquivo: Bira Lourenço
por uma transformação  social e procurando também dar uma boa qualidade aos espetáculos.
As montagens produzidas pelo Grupo são as seguintes: QUEM MATOU ZEFINHA? de Virgínia  Lúcia, direção de Ricardo Moreira; CHICO REI de Walmir Ayala, direção de Ronildo Moreira e CHUCALHANDO de Ricardo Moreira, direção de Xuluka.
Quanto a natureza da produção, viabiliza-se montagens com a venda de espetáculos, animação de festas infantis, doações etc. Estamos nas ruas, nos palcos, nos bairros, nas praças e nas bocas."

Além dos artistas citados acima (Ronildo e Ricardo Moreira, Xuluka), e de acordo com a peça gráfica já citada, participaram também do grupo Braz Dy Vinu, Lucineide dos Santos, Ednéia Sanches, Claudia de Castro e Bira Lourenço.
Jussara Assmann, Adailtom Alves e Bira Lourenço

A conversa foi registrada, para ouvir o áudio completo basta clicar aqui.



[1] Professor no Curso Licenciatura em Teatro da UNIR; mestre em Artes pela Universidade Estadual Paulista (UNESP); integrante do Teatro Ruante.

segunda-feira, 15 de abril de 2019

UM TCC: UM GRITO DE PROTESTO



O que a busca de um tema para o TCC (Trabalho de Conclusão de Curso) pode gerar? No caso de Raoní Amaral, aluno do curso de Licenciatura em Teatro, um espetáculo. A ideia surgiu quando Raoní teve contato com o grupo de pesquisa GEPIAA (Grupo de Estudos e Pesquisas Interdisciplinares Afro-Amazônicos) dentro da disciplina História da Cultura Afro-brasileira e Indígena, ministrada pelo professor doutor Marco Teixeira. O grupo estava iniciando suas pesquisas sobre a mãe de santo Dona Eunice, que foi uma importante líder religiosa de Porto Velho. Raoní, o diretor, atravessado pela história, teve a ideia de montar um espetáculo inspirado nessa temática.
O espetáculo IFÉ da Cia beradera de Teatro, estreou no dia 23 de março de 2019 e atualmente está em cartaz. A peça traz questões de religiões de matrizes africanas e contou com a dramaturgia do próprio diretor. A encenação passa-se em um antigo ''hotel/pousada" localizado na Avenida Sete de Setembro, principal avenida do centro da cidade. O espaço intimista contribuiu para aproximação entre público e atores, possibilitando uma interação entre si. A interação dar-se por meio de olhares, toques, diálogos, porém o público não chega a entrar em cena junto com os atores, oportunidade que poderia ser aproveitada, como por exemplo, nos rituais que envolvem as danças.
A música e a dança dialogam o tempo todo com a encenação, elementos muito bem aproveitados que nos remetem aos terreiros. Vale ressaltar a questão dos figurinos que caracterizam e representam as religiões de matrizes africanas. 
Ao final do espetáculo existe uma itinerância dentro do hotel, na qual o público escolhe uma vela; a cor da vela os direciona para um quarto. As cenas foram criadas pelo próprio elenco e tratam sobre temas de LGBTfobia, escravidão e a mulher ribeirinha.  Uma proposta bem elaborada do diretor, pois ele proporcionou autonomia aos atores para expressarem o que queriam. 
IFÉ vem como um grito de protesto contra todo o racismo, violência, preconceito e intolerância religiosa que estamos vivendo no Brasil e no mundo. O espetáculo expande a mente do público, tirando-os do senso comum a respeito das religiões de matrizes africanas.  

Stephanie Caroline Matos Dantas. 
Estudante do Curso de Licenciatura em Teatro (UNIR); critica produzida na disciplina Teorias do texto dramático e espetacular, ministrada pelo professor Dr. Júnior Lopes. 

quinta-feira, 28 de março de 2019

Em busca do outro teatro ou dos outros teatros


Curso: Licenciatura em Teatro/UNIR (3º período – 2019-1)
Docente: Professor Me. Adailtom Alves Teixeira
Discentes: Dennis Weberton Vendruscolo Gonçalves
Disciplina: História do Teatro e Literatura Dramática A


Uma das frases que mais chamou a minha atenção no documentário “O outro teatro: do ritual à performance”, do pesquisador Zeca Ligiéro, foi: “O teatro está, às vezes, na mesma quadra em que moramos”. Isso porque me recordei dos folguedos natalinos que são comuns na minha cidade natal, Alta Floresta D'Oeste, interior do estado de Rondônia. Antes do Natal, pouco mais de quinze pessoas saem às ruas da cidade com a tradicional Folia de Reis. Os bastiões vão à frente pedindo licença para adentrar nas casas e tocar toadas anunciando a chegada do menino Jesus.

Observei por diversas vezes, antes mesmo de fazer parte de um grupo de teatro, que há em seus gestos, nas suas falas, toda uma teatralidade, um jogo entre os membros da folia e os donos das casas, que recebem em seus recintos o ritual de anunciação. Intuição essa que foi confirmada com pesquisas e mais pesquisas que fiz para uma reportagem sobre a festividade em 2011. Intuição que foi reafirmada ao assistir o documentário de Zeca Ligiéro, o qual classifica a folia de reis como uma performance cultural, estabelecendo o conceito de motriz cultural, em que tradições africanas e ameríndias são perfomadas no Brasil, atualizadas e ressignificadas conforme o contexto em que estão inseridas (a Folia de Reis, por exemplo, mescla elementos da religiosidade cristã européia com a africana).

Essa breve introdução me fez refletir sobre o que é teatro. E é essa questão que também permeia o documentário em seus mais de 20 minutos. O pesquisador Zeca Ligiéro vai em busca dos outros teatros, de possibilidades cênicas difundidas em países da Ásia, da América e da África e nos apresenta a rica história do teatro na China, com sua ópera tão característica em que são mescladas desde as belas artes até as artes marciais, e que foge do tom realista tão caro aos europeus.

O documentarista também nos mostrará a potência ameríndia no que diz respeito à teatralidade, em especial da tradição maia no fazer cênico e de como essa estética se aproxima da chinesa, em que o corpo é visto de maneira não realista. Por fim, são mostrados rituais africanos que abarcam processos teatrais na maneira como são contadas as histórias, como são encenadas através do dançar, batucar e cantar histórias míticas de um povo, ou de vários, fazendo uso de dois elementos que se intercalam e por vezes se misturam que são o ritual e o jogo (brincadeira).

Nesse processo de estabelecer e evidenciar a teatralidade em outras culturas que são hegemônicas (asiática, americana e africana), que não estão contidas em um edifício (o teatro - local - espaço onde se vê) ou que não correspondem ao que classificam como teatro contemporâneo, o pesquisador vai nos apresentar o conceito de performance, em que o performer se mostra como o próprio texto, e ao invés de representar um personagem, representa a si mesmo, ou ainda, com seu corpo processa as matrizes culturais a que está inserido e, a partir disso, “corporifica uma literatura viva, desenvolvida a cada apresentação”.

A partir dos conceitos apresentados no documentário, percebo que teatro vai muito além de espetáculos encenados em um espaço previamente estabelecido, muito além do entretenimento, muito além do que peças européias que estudamos e encenamos exaustivamente no mercado e na academia. O teatro é uma possibilidade de reinvenção, de recriação, de comemoração, através do ritual e do jogo, de dramaturgias diversas e que muitas vezes estão à margem do processo de visibilidade. Como Ligiéro diz, esses outros teatros “carregam para a cena as crenças, as concepções espirituais e as peculiaridades de cada cultura” e é desses teatros que precisamos saber e pesquisar cada vez mais.

REFERÊNCIAS

O OUTRO teatro – do ritual à performance. Direção: Zeca Ligiéro. Produção: Núcleo de Estudos das Performances Afro-Ameríndias. Rio de Janeiro (RJ). 2018, Vídeo on line. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=I5BKv48WC7c. Acesso em: 05/07/2019.

sábado, 2 de março de 2019

CARTA PÚBLICA À FUNCULTURAL – PORTO VELHO/RO


CARTA PÚBLICA À FUNCULTURAL – PORTO VELHO/RO
A Fundação de Cultura de Porto Velho – FUNCULTURAL, pelo segundo ano consecutivo, faz um chamamento público às diversas categorias artísticas, dentre elas o teatro, sem nenhum diálogo prévio. A falta de conversa cria certa anomalia e, ao mesmo tempo, demonstra total desconhecimento do fazer artístico teatral, na medida em que dita regras absurdas, a saber: espetáculos com 5 (cinco) artistas em cena, duração de uma hora, pagando a exorbitância de R$ 500,00 (quinhentos reais) por apresentação. Estranho a pré-determinação da quantidade de artistas em cena, bem como a determinação do tempo de uma obra. Como se paga o transporte? Como se paga todas as taxas diante da extensa documentação exigida? E o tempo de elaboração de uma obra? E os custos de produção? Etc.
Se a FUNCULTURAL deseja o desenvolvimento e a profissionalização do teatro em Porto Velho, é fundamental o diálogo com os artistas, o empenho de mais recursos e, principalmente, tirar do papel a Lei 1.820 de 01 de julho de 2009 – Programa Municipal de Fomento ao Teatro Para a Cidade de Porto Velho –, que prevê a contemplação de até 30 (trinta) projetos em editais abertos duas vezes ao ano.
Aguardamos uma resposta à demanda acima e a construção de um diálogo transparente e republicano com a categoria teatral de Porto Velho.

ASSINAM – ARTISTAS E COLETIVOS DA CIDADE:
O Imaginário
Teatro Ruante
Departamento de Artes – UNIR
Taiane Sales – Atriz
Marcelle Pereira – Professora da UNIR
Rosângela Hilário – Professora do Departamento Ciências da Educação – UNIR
Fabiano Barros – Diretor, dramaturgo e gestor cultural
Movimento ProCultura de Rondônia
Almício Fernandes – Ator e produtor
Rafael Barros – Ator e produtor
Raíssa Dourado – Cineasta
Thiago Maziero – Músico
Judilson Dias – Diretor e produtor teatral
Grupo Quebra-Cabeça de Teatro
Trupe dos Conspiradores
Reginaldo Cardoso – Presidente do Conselho Municipal de Cultura
Raoni Amaral – Ator e produtor
Grupo Raízes do Porto
Centro Acadêmico de Artes da UNIR
Gabriel Corvalan – Ator
Grupo Teatral Diz-Farsa
Cia Beradera
Izabela de Lima Feitosa – Cantora
Banda Beradelia
João Almeida de Barros Lima Neto – Ator
Andressa Batista – Produtora Cultural
Betânia Maria Zarzuela Alves de Avelar – Produtora Cultural
Carol Aguiar – Cantora
Mayara Gabaldi Sampaio – Atriz e palhaça
Andressa da Silva – Atriz e bailarina

ASSINAM – ARTISTAS E COLETIVOS DO ESTADO E DA REGIÃO NORTE:
Grupo Wankabuki – Vilhena /RO
WebRádio Porto Velho Caos
Associação Cultural Wajari – Guajará-Mirim
Celeiro Cultural – Ji-Paraná
Colegiado do Curso de Teatro da Universidade Federal do Amapá
FETAC – Federação de Teatro do Acre
Movimento Cultural Desclassificaveis/AP
Associação AMAPAENSE de Folclore e Cultura Popular-AAFCP - Paulo Alfaia - Coordenador de Produção Cultura e Arte
Cia. Visse e Versa - Rio Branco/AC
Movimento Cênico Artheatrum – Macapá/AP
Locômbia Teatro – Roraima
Thaise Luciane Nardim - atriz e professora da Universidade Federal do Tocantins

APOIAM – MOVIMENTOS E GRUPOS TEATRAIS DE TODOS O BRASIL:
RBTR REDE BRASILEIRA DE TEATRO DE RUA
MARL Movimento dos Artistas de Rua de Londrina - Londrina/PR
MTR-BA – Movimento de Teatro de Rua da Bahia
MTR/SP – Movimento de Teatro de Rua de São Paulo
FECATE – Federação Catarinense de Teatro
Associação Cultural Joana Gajuru – Maceió/AL
Galpão da Lua - Presidente Prudente/SP
Oigalê Cooperativa de Artistas Teatrais - Porto Alegre/RS
Teatro em Trâmite - Florianópolis/SC
Casa Vermelha - Florianópolis/SC
Teatro de Rocokóz - São Paulo/SP
Circo e Teatro Éramos Três - Cascavel/Curitiba-PR
Cia Pedras - Maringá/PR
Grupo Experimental de Teatro Vivarte - Rio Branco/AC
De Pernas Pro Ar - Canoas/RS
Cirquinho do Revirado - Criciúma/SC
Grupo TIA - Canoas/RS
Cia. Fundo Mundo - Florianópolis/SC
Cia. Estável de Teatro - São Paulo/SP
Cia Delas - Londrina/PR
Escarcéu de Teatro - Mossoró/RN
Grupo Xingó - São Paulo/SP
Teatro de Caretas - Fortaleza/CE
Mamulengo Sem Fronteiras - Brasília/DF
Cia. Canina – Teatro de Rua e Sem Dono - São Paulo/SP
Mãe da Rua - São Caetano/SP
Bando Goliardxs - São Paulo/SP
Os Atrapalhados - Osasco/SP
Teatro Imaginário Maracangalha - Campo Grande/MS
Grupo Teatral Nativos Terra Rasgada - Sorocaba/SP
Cia. Colcha de Retalhos - São Paulo/SP
Tropa Mamulungu - Rio Branco/AC
Cia. MiraMundo Produções Culturais - São Luís/MA
Cia Teatro de Garagem - Londrina/PR
Na Cia da Cabra Orelana - São Paulo/SP
Poeta Capim Santo - Fortaleza/CE
Grupo Teruá – Fortaleza/CE
Buraco d’Oráculo - São Paulo/SP
Cia. Bornal de Bugigangas - Assis/SP
Circo Teatro Capixaba - Divino de São Lourenço/ES
Grupo de Teatro de Rua Loucos e Oprimidos da Maciel - Recife/PE
Som Na Linha - Presidente Prudente/SP
ERRO Grupo -  Florianópolis/SC
Pombas Urbanas - São Paulo/SP
Coletivo Menelão de Teatro - ABC/SP
Fátima Sobrinho - Belém/PA
Trupe Olho da Rua - Santos/SP
Trupe Tamboril de Teatro - Uberaba/MG
Coletivo Dolores Boca Aberta - São Paulo/SP
Grupo Primeiro de Maio - Salvador/BA
Núcleo Ás de Paus - Londrina/PR
Mala nas Costas - São Miguel do Gostoso/RN
Circo Teatro Capixaba - Divino de São Lourenço/ES
CHAP - Companhia Horizontal de Arte Pública - Rio de Janeiro/RJ                                                      
Povo da Rua-teatrodegrupo - Porto Alegre/RS
GRUTTA - Tangará da Serra/MT
Grupo TAMTAN - Tanquinho/BA
Kiwi Cia de Teatro - São Paulo/SP
Coletivo Comum - São Paulo/SP
Cabaré Feminista - São Paulo/SP
Núcleo Pavanelli de Teatro de Rua e Circo - Tatuí/SP
Brava Companhia - São Paulo/SP
Cia Casa da Tia Siré - São Paulo/SP
Estudo de Cena - São Paulo/SP
Dirigível Coletivo - Belém/PA
Grupo de Teatro Quem Tem Boca é Pra Gritar - João Pessoa/PB
Cia. Translúcidas - Londrina/ PR
Mamulengo Rasga Estrada - Presidente Prudente/SP
Grupo Rosa dos Ventos - Presidente Prudente/SP
Tropa Trupe - Natal/RN
Do Buraco Sai o Quê? - Rio de Janeiro/RJ
Grupo Trilho de Teatro Popular - Porto Alegre/RS
Os Mamatchas - São Paulo/Buenos Aires
Trupe Circuluz - Olinda/PE
Grupo Nóis de Teatro - Fortaleza/CE
Traço Cia. de Teatro - Florianópolis/SC
Grupo Ritornelo de Teatro - Passo Fundo/RS
Coletivo ClanDesTino - Dourados/ MS
Rué La Companhia - São Paulo/SP
Grupo Manjericão - Porto Alegre/RS
Gira Cia. Andante – Rio de Janeiro             
Árvore Casa das Artes - Vitória/ES
Mocambo Groove - Presidente Prudente/SP
Cia de Teatro Madalenas - Belém/PA
Coletivo Mulheres Aguerridas - Salvador/BA
Coletivo Arte Marginal - Salvador/BA
Grupo Primeiro de Maio - Salvador/BA
Cia Bornal de Bugigangas - Assis/SP
Grupo Ueba Produtos Notáveis - Caxias do Sul/RS
Teatro Imaginário Maracangalha - Campo Grande/MS
ConsuArte Ltda - PE
Grupo Luz e Sombra - PE
Cia Só/Edna Aguiar - Londrina/PR
Cia MiraMundo / Michelle Cabral - São Luis CT/MA
Cia de Teatro Soluar - João Pessoa/PB
Grupo Olho Rasteiro - Curitiba/PR                                                       
Cia. Os Palhaços de Rua - Londrina - PR
Ói Nóis Aqui Través - Porto Alegre / RS
Será O Benedito? Cia. de Teatro, Circo e Rua - Rio de Janeiro / RJ
Grupo Tibanaré – Cuiabá/MT

sexta-feira, 4 de janeiro de 2019

VIII FESTIN-AÇU - entrevista

Adailtom Alves Teixeira*

Ocorrido entre 15 a 18 de novembro de 2018, o VIII FESTIN-AÇU - Festival Internacional de Teatro de Guajará-Mirim - único festival internacional do estado de Rondônia -, teve diversas apresentações teatrais do Brasil, Bolívia e México, além de ações formativas e o I Fórum de Teatro da Fronteira. O Festival é realizado pela Associação Cultural Waraji, estando à frente da produção Thaiz Lucksis, Paulo Santos e Rafael Barros.

Apesar de já ocorrer a oito anos ininterruptos, o apoio governamental, quando há, é irrisório. O Festival se realiza graças a solidariedade dos artistas e da comunidade. Essa, aliás, é uma das tônicas do Festival, de acordo Thaiz Lucksis, com quem conversamos um pouco. A conversa teve a participação também do Paulo Santos. Estava presente também a monitora do festival e acadêmica de teatro da UNIR, Stephanie Matos.

A entrevista faz parte do levantamento histórico da cena rondoniense, pesquisa que realizo dentro da linha de pesquisa Memórias da Cena Amazônica, do Grupo de Pesquisa PAKY`OP da UNIR, ligado ao Curso Licenciatura em Teatro. Assim, o material (a entrevista) não só amplia o conhecimento da história do teatro em Rondônia, mas é mais um documento para futuras pesquisas de outros pesquisadores. Estamos levando material sobre a história do teatro, ao mesmo tempo em que produzimos documentos, tomando como metodologia a História Oral. 

Acesse o áudio da entrevista aqui.



*Professor no Curso Licenciatura em Teatro da UNIR; mestre em Artes pela Universidade Estadual Paulista (UNESP); integrante do Teatro Ruante.